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Terça-feira, 17 de Julho de 2007

Os sequestrados de Altona (i.e. todos nós)

Céptico por natureza, com o traço da experiência, há poucas coisas que me surpreendem, nomeadamente no que diz respeito à política e economia do nosso país. Mas há sempre espaço para surpresas, que, no entanto, mais não fazem do que contribuir para o reforço da minha convicção e do meu “engagement” no anarquismo existencialista egocêntrico! Receio ter roçado os limites da genialidade com esta metáfora.

Repugno ideologias em geral, mas em particular, ideologias de direita, e ainda mais especificamente o nazismo (em todas as suas formas, incluindo o judaísmo). Mas para além da repugnação, considero a minha dificuldade de conceber o cultivo dessa ideologia por pessoas originárias de países como.. Portugal. Não me apetece perder tempo a explicar porque, apenas manifesto o meu profundo desrespeito por essas pessoas, a quem desejo o melhor deste Mundo, segundo Sileno, i.e., morte rápida (já que a legalização do aborto não resolve tudo!).

Mas como em tantas outras coisas, o discurso do politicamente correcto, dos “políticos do 25 de Abril”, é conhecido: o nazismo e o fascismo são ideologias inaceitáveis numa sociedade assente no respeito da dignidade da pessoa humana. E existe quase um orgulho de termos sido neutros na Segunda Guerra Mundial, o que tem permitido, entre outras coisas, limpar o vómito da imagem de Salazar. Mas o que a maioria das pessoas não sabe sobre este país é que algumas das pessoas mais influentes são fervorosos partidários do nazismo e que os restantes “poderosos” deste país (mesmo dos partidos ideologicamente antagónicos, incluindo, obviamente, e sem surpresa, o PCP), não só sabem disso, como não perdem uma oportunidade para lhes beijar a mão ... e mais alguma coisa, se for preciso (acrescento maldosamente!).

Sim, os perigosos nazis deste país não são os idiotas do PNR e afins, que libertam as suas frustrações sexuais e intelectuais em manifestações mais ou menos ridículas... e cada vez mais preocupantes. Os perigosos nazis são aqueles que se dão ao luxo de decidir quando podem receber o não menos perigoso primeiro-ministro deste país.

Tudo isto me recorda um episódio curioso, passado em Coimbra, na rua Ferreira Borges, no auge da minha dedicação ao existencialismo “sartriniano”. Encontrei num alfarrabista o livro “Os sequestrados de Altona”, peça de teatro que procurava há algum tempo. Comprei o livro e sorridente caminhei em direcção à rua da Sofia, para um delicioso bolo na pastelaria Sirius. No entanto, comecei a notar que algumas pessoas se detinham a olhar para mim e com um certo olhar de desdém. Vestido de negro, como andava naquela altura, costumava passar despercebido. Foi entanto que reparei no “porquê”: O livro! A capa do livro é vermelha com uma suástica que ocupa quase a totalidade da capa. Guardei o livro, nunca gostei de ser o centro das atenções, mas consciente da ironia da situação, o que eventualmente me fez sorrir.

E a ironia leva-me à parábola, adaptada das sábias palavras do Prof. Costa Andrade e da situação a que ele costumava recorrer para falar da “labeling aprouch” e da evidência de que a sociedade escolhe os seus próprios criminosos. Imaginem que fecham a rua Ferreira Borges e dizem que há um nazi na rua: entre um tipo de negro com um livro com uma cruz suástica e um iluminado banqueiro de bíblia na mão, quem diriam ser o nazi?  

 

 

“O século trinta não responde. Talvez não haja mais séculos após o nosso. Talvez alguma bomba tenha assoprado as luzes. Tudo estará morto: os olhos, os juízes, o tempo. Noite. Ó Tribunal da noite, tu que foste, que serás, que és, eu fui! Eu fui! Eu, Frantz von Gerlach, aqui, neste quarto, pus o século às minhas costas e disse: “Eu responderei por ele. Hoje e sempre”. Hem? O que?” – “Os sequestrados de Altona” – Jean-Paul Sartre.

 

música: Intolerance - Tool
publicado por O Carteiro às 13:36
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2 comentários:
De Mestre Toquinhas a 18 de Julho de 2007 às 17:23
Deixa-te lá dessas merdas e vamos é beber uns copos até esquecermos para que lado é a direita e a esquerda!
Beijo
De O Carteiro a 22 de Julho de 2007 às 12:47
Querida mestre toquinhas, os seus desejos são ordens!

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