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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Rir quando não se deve…

Por estes dias, nada parece correr como devia, de ironia em ironia. E talvez em virtude do meu peculiar sentido de humor, acabo por ser mal interpretado.. no mínimo!

Claro que há sempre algumas coisas que “ajudam” a que eu seja mal interpretado, como aconteceu hoje, quando me ri quando não devia (e várias vezes). Acontece-me com relativa facilidade rir quando não devo, quando existe alguma situação em que é completamente inadequado esboçar um sorriso, como por exemplo quando alguém diz uma invejável sequência de disparates ao chefe, bem elucidativos de alguma incompetência, e o chefe começa a passar-se da cabeça com essa pessoa, dando-lhe uma descompostura e eu …. começo a rir…. Ou seja, a receita perfeita para um bom ambiente de trabalho com os colegas de gabinete!!

Lembro-me do tempo em que trabalhava na faculdade e fazia parte do júri das orais e da reputação de arrogante e insensível que ganhei à custa disso.

Como devem imaginar (eu imagino, pois lembro-me bem do que sentia quando estava do lado de lá), quando se faz uma oral num sítio como a FDUC, a última coisa que queremos ver/ouvir é a pessoa que está no júri começar a rir quando se erra uma pergunta (bem, há que ser preciso, não era só errar, tal seria um eufemismo, a frase correcta é “quando se erra uma pergunta e se diz um tremendo disparate”). Pois, eu sou desse tipo de pessoas… acreditem que bem me esforçava por evitar, mas a minha mente humorística é mesmo retorcida (ou nem tanto. Será que alguém pode ficar indiferente à seguinte sequência pergunta/resposta: “onde podemos encontrar o capital social de uma sociedade comercial? Na Caixa Geral de Depósitos!”). O pior era a injustiça (na minha perspectiva) de os alunos pensarem que eu estava a gozar com a desgraça alheia..  quando simplesmente tenho uma vontade incontrolável de rir. O cúmulo da ironia (algo também frequente nos dias que correm…) era um professor com quem eu fazia orais, que era considerado “um querido e um amor” pelas alunas e “um gajo porreiro” pelos alunos e que, na verdade, era o maior cab*** com quem eu fazia orais… mas claro, enquanto o proveito era dele, a fama era toda para mim. Pegando no exemplo anterior, ele partia da resposta e desenvolvia sadicamente: “aí sim? em que agência da CGD? Tem a certeza que não pode estar noutro banco? E não se pode transferir o capital social para outro banco? Ora pense lá. Isso não levantaria problemas de concorrência?” .. como já devem estar a imaginar, para ele o aluno já estava chumbado no primeiro disparate!

E conseguia manter-se sério durante todo o processo de tortura. Não só resistia ao riso do disparate, como, entretanto (isto é, enquanto o aluno desesperava com a sequência de perguntas sem sentido), me segredava entre os dentes: “este tipo vai mas é limpar casas de banho para a CGD, só diz m****!”. Mas não ficava por aqui, depois da tortura, ainda tinha o discurso nutrido do mais requintado companheirismo do mundo, do género: “Vi que estava nervoso, sei que estudou. É um aluno para mais altos voos. Não sei se vai dar para passar, mas fique descansado que ponderarei muito bem o seu esforço”. Claro que, entretanto, ele já tinha escrito “reprovado” na ficha de avaliação! Para a posteridade ficava: “aquele cab*** do gajo que se pôs a rir é que me tramou”. E por aí fora…  

 

Mas, por estes dias que correm, o humor é tudo que tenho! (a adjectivação fica por vossa conta)

música: Sublime - "What i got" (reprise)
publicado por O Carteiro às 01:22
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12 comentários:
De jukita a 28 de Outubro de 2008 às 16:10
Engraçado é assistir a uma oral em que o aluno está 20 M sem dizer absolutamente nada.
Senta-se, olha o vazio, e nada diz! nada!!

De O Carteiro a 29 de Outubro de 2008 às 09:14
É verdade, um jurí sofre... rindo!
De margarida a 1 de Março de 2010 às 18:54
eu estudei na FDUC e de facto não é dificil de adivinhar quem é o Sr. DR em questão
De O Carteiro a 3 de Março de 2010 às 00:05
Pois, acertou!
De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 00:57
és mesmo gato. gosto da maneira como escreves, tens atitude... és 91? bjinhos fôfos.
De O Carteiro a 16 de Julho de 2010 às 13:10
LOL :) 91? Santo deus, sou bem mais jovem! Quando muito posso ser um grande 31. Obrigado pelo comentário "anónimo"!
De Sr. Bela de(a) Cunha a 16 de Abril de 2011 às 20:18
Pois é, são as elites podres que temos em Portugal. Mania dos Doutores. Com o feudalismo de gerações que temos na fduc percebe-se bem o desprestígio que se vai associando àquela faculdade. Mas abstraindo-me da fduc, logo penso quantos professores universitários gostam de ensinar? Lidar com alunos? Realmente se esforçarem para os transformar em melhores alunos e cidadãos? Confunde-se o brilhantismo académico (e muitas e demais vezes a cunha) que propriamente a capacidade de transmitir conteúdos. Talvez uma distinção entre docentes de investigação e de pedagogia seria uma boa solução. Voltemos aos distintos professores da FDUC que demonstraram a capacidade de se adaptar ao regime político vigente de modo a não lhes retirarem do poleiro: José “Canotas”, Vital Moreira, Santos Justo : até 1974, política não é com eles, a partir de 1974, ora pois tempo do PREC, PCP “all the way”, depois do “Dr” Soares tomar as rédeas do poder rumo à destruição, Partido Socialista claro… Enfim, para mais não falar de Doutores que são autênticos Snobs. Esquecem-se de que quem aprovou o plano de estudos deste curso foi o conselho cientifico, e não os alunos que com ele sofrem atrocidades de bolonha mas são criticados por o frequentarem… Alguns desse ilustres como Pinto Bronze e “Canotas” tiraram o curso em 10 anos… Lol… qualquer menino bem educado e inteligente, que tivesse capacidade financeira para se sustentar durante tanto tempo nessa instituição conseguiria ser docente. Cuidem-se. Deviam ser os primeiro a primar pela humildade!
De O Carteiro a 18 de Abril de 2011 às 11:22
É curioso verificar que este postal continua a dar que falar.. mas em todo caso, devo dizer que acho a generalização é injusta (embora admita que não tenha sido essa a intenção de quem escreveu). Sinto-me à vontade para dizer isto, sem conflito de interesses, pois não faço parte do corpo de docentes por vontade própria. Em todo caso, obrigado pelo comentário.
De Sr. Bela de(a) Cunha a 30 de Junho de 2011 às 12:12
Não faz parte por vontade própria? Então é obrigado a integrar a lista de docentes? Curioso... Podia me esclarecer?
De Sr. Bela de(a) Cunha a 9 de Fevereiro de 2012 às 19:41
Sr. Professor? Responde convites para partidas de golfe mas não à imposição de integrar o malévolo corpo de docentes da empresa familiar FDUC? PS: Que saudades desse monumento do nepotismo e da arrogância!
De S a 22 de Outubro de 2011 às 14:23
Será alguém me poderia elucidar quem é esse tremendo docente?

Já agora...
Senhor professor, vai uma partida de golfe?
De O Carteiro a 22 de Outubro de 2011 às 23:51
Se conhecer a FDUC, não será difícil de descobrir.. boa sorte

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