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Domingo, 12 de Junho de 2005

O terceiro homem

P1010036.JPG


“Nos nossos dias, meu velho, ninguém pensa em termos de seres humanos. Se os governos não o fazem, porque o deveríamos fazer nós?” – O terceiro homem, Graham Greene


Será que alguma vez alguém pensou? É difícil não ver a realidade com olhos de pessimismo, mesmo ao olhar o espelho, para perceber que somos bem diferentes de qualquer “naif” conceito de ser humano. Nada de novo, portanto. No entanto, dois fragmentos de realidade conjugaram-se para que escrevesse duas linhas: os recentes acontecimentos na praia de Carcavelos e o filme “América proibida”. É minha convicção que o “ser humano” está condenado a perpetuar ódio e violência, motivos nunca faltarão, a história será sempre um lago de lágrimas e mágoa, recordado como a lição que não se aprendeu. Mas mais angustiante é perceber a indiferença que existe pelo outro. Ninguém pensa em seres humanos. Mesmo neste barril de pólvora em que vivemos, somos incapazes de perceber que sozinhos somos todos vítimas da indiferença de sermos iguais.


Toda esta intolerância pela diferença é apenas um pretexto, um reflexo da nossa natureza. Debaixo destas máscaras somos todos iguais, uma massa uniforme de existência, somos meros animais em luta pela sobrevivência.


 

publicado por O Carteiro às 11:33
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7 comentários:
De ocarteiro a 17 de Junho de 2005 às 02:31
Aproveito para dar as boas vindas aos novos comentadores.
Em relação aos comentários.
*Ocas querida, quem dera a muitos o teu pechisbeque!!

Caro Muriel. Estou a ver que é um apaixonado pela cultura clássica. Receio que as minhas ondas cerebrais flutuem noutras frequências. Na verdade, no ponto “ideológico” em que estou, não concebo as coisas assim. Evito falar no plural (ou, como dizem algums, homem com h maiúsculo) e abordar o drama do confronto entre a sociedade e o indivíduo. A sociedade é um conjunto de regras, está necessariamente para lá dos indivíduos, assim como a igualdade e a diferença. O problema surge quando se parte do indivíduo para construir a sociedade e se concebe a sociedade à imagem desse indivíduo. A partir daí, os outros são o inferno. A sociedade é o conjunto dos indivíduos, não enquanto tais, mas enquanto partículas desagregadas de uma existência comum. O homem nunca vai aprender a viver em sociedade, porque não é um ser social, é um animal na luta pela sua sobrevivência e da sobrevivência da espécie. Consequentemente, todas as formas de organização da sociedade são imperfeitas. A própria democracia, como modelo de organização política, mostra bem isto. À partida, todos estão de acordo que o princípio democrático, é a melhor forma de organizar a sociedade, mas é curioso notar as dificuldades de aceitar a vontade da maioria. Como cogumelos (não mágicos, pois se fossem até seriam bem-vindos para o desenvolvimento da economia nacional), surgem as minorias com estatuto especial, que a maior parte das vezes acabam por dar origem a verdadeiros “abusos de minoria”, mesmo violando o princípio da igualdade que normalmente está “subjacente” às suas exigências (o princípio da igualdade é um bom tema para abordar no futuro). Ou então, no caso da Constituição Europeia, em que as votações nos referendos realizados parecem ser completamente indiferentes aos “senhores Europa” e aos seus vassalos, inconformados com a ousadia de as pessoas terem votado “não”!

Caro Espartano, uma pequena correcção, o filme passou na RTP 2 e não no canal 1. É fácil de recordar, caso tenhas tido vontade de ir fazer um xixizinho!! Isto não é uma crítica, pelo contrário, felizmente é possível ver um filme sem ser importunado com o irritante anúncio do martini!

O filme América Proibida merece sem dúvida um especial destaque, exactamente por pôr a nú (sem duplos sentidos!) a água turva que envolve questões tão delicadas como o racismo. O papel do Edward Norton é fabuloso (no entanto, ainda assim não chega aos calcanhares de vultos do cinema como o Peter North e o Rocksy Freddy!! Bem, não é bem aos calcanhares!). Confesso que não sou grande cinéfilo, e dificilmente me recordo do nome dos actores (o do Edward Norton fico a dever a uma conversa ao almoço sobre o filme, com pessoas menos ignorantes que eu nestas questões), mas a tensão dramática que ele conseguiu transpor para o filme é fantástica. Aliás, à semelhança do seu papel no Fight Club, parece ser um daqueles raros actores de Hollywood que consegue fazer com que a personagem se sobreponha ao actor e ganhe vida, no sentido profundo da palavra (no sentido inverso, basta recordar um filme recentemente badalado – inexplicavelmente, na minha opinião – em que mais parecia um exercício de “olha para nós a fazer um filme cheio de realismo e perversão”).Não posso deixar a oportunidade para referir a Nicole Kidman, que é uma das poucas estrelas de “Hollywood” que realmente merece o estatuto, pois, para além de uma beleza invulgar, é capaz de representações sublimes (desafio quem pense o contrário a ver “Dogville”, depois conversamos).

Para concluir, devo dizer que provavelmente fui mal interpretado, também partilho, talvez com outro sentido, o meu enfado pela atitude da tolerância do politicamente correcto vertido em histerismo nos últimos tempos. A liberdade de expressão e de pensamento são bens muito preciosos, em que a tensão entre o indivíduo e a sociedade, raramente são conciliáveis. A este propósito, apenas recordo as sábias palavras do Prof. Costa Andrade: nas ideias e pensamentos cada um deve ser livre de ir para o inferno, desde que não nos leve com ele.
De Helena a 17 de Junho de 2005 às 00:09
Concordo com a generalidade da “carta”.No entanto, senti-me tentada a comentar a questão da violência. Na verdade, a história não é mais do que uma longa lista de vitórias sangrentas e no nosso dia a dia somos bombardiados com imagens violentas, quer na rua, quer na telivisão ou no cinema, como o exemplo que deste. Não sei se concordarás comigo, mas acredito que o ser humano além de estar “condenado a perpétuar ódio e violência” a mesma também exerce um certo poder de sedução sobre ele. E creio que os realizadores de cinema já se aperceberam do quão cativante é uma cena de violência, basta termos presente os vários filmes que se vão fazendo. E aliás, se reparar-mos no aperfeiçoamento dos efeitos especiais estes muitas vezes servem para criar cenas mais impressionantes e aterrorizadoras.
De Espartano a 15 de Junho de 2005 às 16:09
Também vi o América Proibida no Domingo na RTP 1 creio eu. Para mim é um filme que me diz muito, especialmente o personagem Derek. Concordo com a generalidade da postada, já na especialidade ( já parece o Inferno de Direito Político autra vez)discordo da "intolerância pela diferença" pelo menos da forma como foi apresentada. Pois hoje o políticamente correcto é ser-se tolerante, sensível, alinhado com as opiniões da inteligentzia. Porque já ninguém, é homofóbico ou a favor do controlo das fronteiras todos são tolerantes ao cubo, pelo menos na retórica. Apregoa-se a liberdade, mas quando alguém tem a falta de bom senso de a aproveitar é imediatamente apupado na praça pública. Quo vadis Portugal?
De Muriel a 14 de Junho de 2005 às 16:26
Caro Carteiro, é com o espírito inundado no receio que deixo aqui este comentário. E a justificção para tal, reside numa razão cuja mera explicação tirar-lhe-ía qualquer racionalidade.

Segundo os ensinamentos de Epicuro, a felicidade consiste em bastar-se a si mesmo: “quando nos bastamos a nós mesmos alcançamos a posse desse bem inestimável que é a liberdade”. E seguidamente, se conservar à parte das agitações do mundo. Assim, Epicuro dá-nos a receita para a felicidade através da máxima: “ Para vivermos felizes, vivamos escondidos”. Nesta lógica, só vivendo isolado o homem evitará conflitos e violência e deste modo alcançará a felicidade. (Não resisto a confessar que a solidão me dá um certo conforto, no entanto, está longe de se confundir com felicidade).

Ora, o homem é um ser social. E só sobrevive e se realiza vivendo em sociedade. O ser humano está deste modo condenado a viver em sociedade e consequentemente “condenado a perpetuar ódio e violência”.
Mas será a sociabilidade a causa do ódio e da violência entre os homens? E será que isolado o homem alcançará a felicidade?

A verdade é que o homem ainda não aprendeu a viver em sociedade, ainda não despertou para o facto de que conviver pressupõe respeitar o semelhante tendo em conta as suas características pessoais. Falta o reconhecimento de que somos todos iguais e que a nossa singularidade só existe na presença da diferença.
De *ocas (* = T, D ou C) a 12 de Junho de 2005 às 20:37
Ó homem, da minha forja só sai pechisbeque!!!! :)
De ocarteiro a 12 de Junho de 2005 às 14:50
Boa dica de leitura, Ocas??? (A lenda continua...). Gostei do comentário, mas da próxima espero umas palavras arrancadas do metal incandescente da tua forja (gostas?!)!! Baci
De *ocas a 12 de Junho de 2005 às 13:26
"(...)É certo que há algumas criaturas vivas, como as abelhas e as formigas, que vivem socialmente umas com as outras (e por isso são contadas por Aristóteles entre as criaturas políticas), sem outra direcção a não ser os juízos e apetites particulares, nem linguagem através da qual possam indicar umas às outras o que consideram adequado para o benefício comum. Assim, talvez haja alguém interessado em saber porque a humanidade não pode fazer o mesmo. Ao que tenho a responder o seguinte.
Primeiro, que os homens estão constantemente envolvidos numa competição pela honra e pela dignidade, o que não ocorre no caso dessas criaturas. E é devido a isso que surgem entre os homens a inveja e o ódio, e finalmente a guerra, ao passo que entre aquelas criaturas tal não acontece.


Segundo, que entre essas criaturas não há diferença entre o bem comum e o bem individual e, dado que por natureza tendem para o bem individual, acabam por promover o bem comum. Mas o homem só encontra felicidade na comparação com os outros homens, e só pode tirar prazer do que é eminente.


Terceiro, que, como essas criaturas não possuem (ao contrário do homem) o uso da razão, elas não vêem nem julgam ver qualquer erro na administração da sua existência comum. Ao passo que entre os homens são em grande número os que se julgam mais sábios e mais capacitados do que os outros para o exercício do poder público. E esses esforçam-se por empreender reformas e inovações, uns de uma maneira e outros doutra, acabando assim por levar o país à desordem e à guerra civil.


Quarto, que essas criaturas, embora sejam capazes de um certo uso da voz, para dar a conhecer umas às outras os seus desejos e outras afecções, apesar disso carecem daquela arte das palavras mediante a qual alguns homens são capazes de apresentar aos outros o que é bom sob a aparência do mal, e o que é mau sob a aparência do bem; ou então aumentando ou diminuindo a importância visível do bem ou do mal, semeando o descontentamento entre os homens e perturbando a seu bel-prazer a paz em que os outros vivem.


Quinto, as criaturas irracionais são incapazes de distinguir entre injúria e dano, e consequentemente basta que estejam satisfeitas para nunca se ofenderem com os seus semelhantes. Ao passo que o homem é tanto mais implicativo quanto mais satisfeito se sente, pois é neste caso que tende mais para exibir a sua sabedoria e para controlar as acções dos que governam o Estado. Por último, o acordo vigente entre essas criaturas é natural, ao passo que o dos homens surge apenas através de um pacto, isto é, artificialmente. Portanto, não é de admirar que seja necessária alguma coisa mais, além de um pacto, para tornar constante e duradouro o seu acordo; ou seja, um poder comum que os mantenha em respeito, e que dirija as suas acções no sentido do benefício comum." - Thomas Hobbes, in "O Leviatã"

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