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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

"For Tura With Love" em discurso directo.

http://www.ruadebaixo.com/the-big-church-of-fire.html

Por: Soraia Simões

 

The Big Church Of Fire são, primeiramente, uma dupla  de rock´n´roll lisboeta. Numa primeira impressão, eternizam a sua sonoridade numa espécie de vibração de raiz revisitada e dicotómica - dividida entre o contexto religioso e conotações de natureza sexual- que divinizou na Memphis de finais de 50 e inícios de 60 figuras como Johnny Burnette, Bill Back Combo, Charlie Feathers ou Johnny Cash.

 

O primeiro impacto denunciado pela dupla, depois de escutar atentamente o EP de estreia “For Tura With Love” ganha contornos de outras referências, que Reverend Joe e Brother Louie assumem como agrado ou influência neste ainda curto percurso. De Heavy Trash a Tigerman, de The Kills a Link Wray ou mesmo Dead Combo.

 

A RDB conversou com os dois músicos. Numa tertúlia impregnada do humor figurativo, com as alusões constantes ao designío de igreja e alguma profanação, da dupla ficou-se a conhecer a(s) rota(s) em que se comprometem e, quiçá, lhes confere(m) tal sonoridade.

 

“For Tura With Love” foi gravado em Nova Iorque com Matt Verta Ray (Heavy Trash,Speedball Baby), Reverend Joe esclarece como tudo começou. ”A gravação do EP surgiu bastante por acaso. Estávamos em vésperas de ir para os EUA e a preparar o concerto de NY. Na altura a nossa maior preocupação era arranjar um esquema de importação de guitarras, dentro da maior legalidade, claro (risos). Estávamos à procura de lojas porreiras na baixa de NY e o Furtado (Legendary Tigerman, Wraygun) deu-nos a morada da Ludlow Guitars que é um bom sítio para comprar instrumentos e amplificadores vintage. Nesse ponto, deu-se a intervenção da Providência e ele referiu que ficava mesmo ao lado do estúdio do Matt Verta-Ray. E que tal gravarem com o Matt? - disse ele. Dito e feito, com a bênção do Furtado, entramos em contacto com o Matt e, de repente, a Igreja tinha uma sessão de gravação marcada com essa lenda viva do rockabilly”.

 

Brother Louie, junta-se à conversa. Na descrição do estúdio, fá-lo com a alegria de alguém ligado e atento ao envolvimento referencial que lhes serve aparentemente de força ou combustível: “o estúdio do Matt é o mais perto de uma caverna analógica, estilo bunker de material old-school, que se pode encontrar. Fez bastante sentido para o tipo de som que estávamos à procura para nós. O formato e o tipo de músicas que escolhemos para este EP correspondem a versões menos electrónicas do que por vezes costumamos tocar porque quisemos explorar a nossa fé nas coisas analógicas (risos). Ou seja, o estúdio era perfeito”.

 

“E próximo de perfeito foi a relação que estabelecemos com o Matt. Antes de entrarmos no estúdio só faltou mesmo benzermo-nos face à ansiedade de estarmos (ou não) à altura de trabalhar com ele. Mas, mal ele surgiu à porta, tudo isso desapareceu. A nossa relação foi de amizade instantânea, brindada com Constantino no final, o verdadeiro sangue da Igreja (risos)”, brinca Reverend Joe.

 

A atmosfera do estúdio parece ainda bem presente na dupla, tal o entusiasmo com que a referem “o ambiente de estúdio foi bastante relaxado, com espaço para experimentalismo. A harmónica na Guimme gravei-a eu e foi uma coisa do momento. No meio das gravações, do nada, fui à Ludlow Guitars comprar uma harmónica e basicamente ficou o primeiro take que também foi a minha primeira vez com uma harmónica (risos). Aliás, todo o EP foi feito em primeiros takes. E quando não estávamos no estúdio, estávamos a tomar pequenos-almoços mexicanos, a ver concertos de blues ou a falar de cinema, literatura ou da guerra civil espanhola com o pessoal da carpintaria que ficava ao lado do estúdio (risos). Claro, pelo meio tivemos o concerto no Lakeside Lounge, uns quarteirões acima”, refere Brother Louie.

 

Mas a viagem também teria alguns episódios caricatos. É Reverend Joe quem os lembra. “Curiosamente, a guerra civil espanhola e os bascos marcaram a nossa passagem por NY. Houve um episódio engraçado. Estávamos no balcão do Lakeside no dia anterior ao concerto, a beber a destilaria local e falar com algumas pessoas, quando um tipo, do nada, pergunta: “Mas pessoal, o que se passa com vocês e os bascos?” O gajo, que ficou bastante embaraçado com a resposta, saiu do balcão a deslizar. Literalmente! Estava de patins! (risos). Foi uma cena entre o bizarro e cómico. Agora, que penso nisso, se calhar o tipo era um visionário!”

 

As premissas que norteiam a sonoridade Big church Of Fire são expressas pelo rochedo referencial amplo que lhes atribui tal musicalidade. É Reverend Joe quem sumariamente o constata. “Pessoalmente, acho que a nossa música certamente será influenciada pelos nossos gostos musicais. Reconhecemos que o resultado é próximo de certas bandas que gostamos. Mas as coisas não são lineares nem extrapoláveis. Por exemplo, no final da gravação, o Matt virou-se para nós e disse que soávamos a um cruzamento de Jesus and Mary Chain com Velvet Underground.. Olhámos um para o outro e acho que ficámos sem jeito e dizemos: pois, sim, I see you point, mas só depois disso é que fomos ouvir os álbuns deles, pela primeira vez, para perceber o significado da comparação e verificar que é um grande elogio!”

 

Brother Louie é mais concreto na definição da ideia do que os move ou motiva enquanto banda, “voltando à pergunta e cruzando os nossos dois universos musicais, na área de intersecção certamente que estão bandas como os Black Rebel Motorcyle Club, Led Zepplin, Legendary Tigerman, Dead Combo, Link Wray, Johnny Cash, The Kills, Heavy Trash, Rinocerose, e por aí fora”.

 

A adesão de quem os vê, em concertos, ou visita, através do myspace, é de agrado mas, igualmente, alguma surpresa. Brother Louie fundamenta: “Temos tido contactos interessantes, por vezes bastante inesperados de pessoas que nos chegam através do nosso myspace. O feedback que nos chega tem sido positivo, de pessoas que se revêem no nosso estilo de rock antigo com raízes no blues e no folk. Talvez o mais inesperado foi o da Joana Morgado a nos propor o primeiro concerto no Maxime. É uma plataforma interessante o myspace e as redes sociais em geral. Ainda no outro dia vimos uma one-woman-band, Theresa Andersson a tocar no Conan O’Brien e a usar um conjunto de pedais de loops. Nós usamos bastante electrónica nos nossos concertos com um pedal midi a controlar samples e loops. Mandamos-lhe um mail, ela respondeu num instante. É mesmo interessante esta aldeia global (risos)”.

 

Para Reverend Joe, “o importante é ter feedback! Seja por que meio for. Gosto de conhecer a opinião das pessoas que ouvem a nossa música, não numa perspectiva técnica, mas de reacção endémica. Às vezes surgem as reacções mais inesperadas.  Lembro um episódio com o Matt em que, após a gravação de “Man, the Third”, disse: “Gosto muito desta música. Quando chegar a casa, vou mostrá-la à minha namorada enquanto bebemos um copo de vinho”. Isto bate qualquer elogio técnico sobre o virtuosismo de uma qualquer progressão na escala de Lá (risos)”.

 

As referências podem ser modelos de apego ou admiração, ou simplesmente fontes de inspiração. Para Brother Louie, “pessoalmente, tenho alguns artistas que revejo como modelos, mas não numa ideia de universo sonoro… talvez mais numa perspectiva técnica com a utilização de electrónica, laptops e midi ao vivo, por exemplo como a Theresa, mas que chegam até aos Daft Punk e pessoal por aí fora que anda a experimentar coisas do género. Muitas horas em fóruns e a ver vídeos de youtube (risos). Mas referências sonoras propriamente ditas, encaixamo-nos num universo dos BRMC, Johnny Cash, Led Zeppelin e Legendary Tigerman como dissemos há pouco. Temos o nosso espaço próprio dentro desse contexto. A nossa ideia inicial foi basicamente de fazer música que gostássemos de ouvir, mas que ainda não existisse. A nossa missão é preencher esse vazio”, clarifica.

 

Reverend Joe Conclui em jeito de graça: “gostamos de alguns artistas, mas quando pegamos nas guitarras e no Constantino, sai-nos isto (risos)”.

 

Tocar ao vivo é energia em bruto e as bandas, melhor que ninguém, o sabem e apreciam. O contacto que se estabelece com o público e a permissão e alargamento das suas performances musicais são importantes no sucesso (ou não) de qualquer grupo de rock´n´roll que se preze. Reverend Joe considera, a respeito dos espaços que vão existindo para tocar, “o nosso espaço natural acaba por ser Lisboa, mas por aí fora já encontramos espaços porreiros e com malta cool a assistir, que vem falar connosco no fim, ficam a tomar uns copos. Há uma boa onda por aí fora”.

 

” Dá gozo pegar na guitarra e andar na estrada”, diz Brother Louie.

 

“…menos quando é para entrar nos EUA”, brinca Reverend Joe, dando continuidade à ideia, “aí o melhor é não andar com as guitarras (risos). Tivemos um episódio menos feliz nos US Customs que nos levou a passar umas horas numa sala sem ar condicionado em pleno Verão”.

 

“… mas tínhamos ventoinha (risos)” complementa Brother Louie, “ao nível de expectativas gostávamos de tocar no Boom Fest. Não sei se alguém da organização está a ouvir, mas se estiverem: já temos um DJ de house progressivo e estamos a trabalhar em aumentar o componente vídeo dos nossos espectáculos. Fazem dois rock n rollers psicadélicos felizes se nos convidarem”, atira.

 

Se em discurso directo a dupla for incitada a entrosar a noção clara em que assenta a sua sonoridade, o resultado, desta divertida conversa é este:

 

“Temos um artigo da Timeout que diz que somos “blues fantasmagórico, minimal, eléctrico” (risos) recorda Brother Louie. ”Nós achamos que é o único resultado possível quando se mistura rock n roll com bourboun (risos). Mas é engraçado falares em universo, por acaso as coisas têm o seu contexto e desde o início da banda que temos esta linguagem visual e sonora comum”.

 

“O nosso conceito é algo simples, dois pregadores que, em 1956, se perderam num bar no Novo México onde tocavam a troco de whiskey e cujas músicas originais foram plagiadas por algumas das mais míticas bandas do planeta, como os Rolling Stones, e que decidem voltar para contar a verdadeira versão da história… ok, isto não faz muito sentido, mas poderia ser uma boa explicação”, intromete ainda divertido Brother Louie.

 

Mas é Reverend Joe quem resolve a questão de modo quase socio-pragmático, “temos um universo que até se pode dizer old school com referências dos anos 50’s, 70’s. Por outro lado executamos isso com Mac’s, Ableton Live’s e modeladores de amplificadores (risos). Tudo tem vindo a ser feito de forma bastante casual. Por exemplo na capa do nosso EP temos a Tura Satana, actriz de culto em filmes dos 50’s, 60’s. Actriz, bailarina” (femme-fatale, que, segundo os próprios músicos, “chegou a estar envolvida amorosamente com o Elvis e o Sinatra)”.

 

Mas Reverend Joe desmistifica, “o facto de a termos na capa foi pura coincidência e saiu de um contacto dela mesma. Mandou-nos uma mensagem com muita piada via myspace a dizer que não iria aparecer no concerto de NY, mas que iria acender uma vela por nós (risos). Bem, aqui nesta igreja achamos que as coisas não acontecem por acaso e passadas umas semanas, quando surgiu a oportunidade de gravar o EP perguntámos-lhe que tal achava de ser capa. Ela achou bem. Nós achamos óptimo”.

 

The Big Church Of Fire reaccionam toda a turbulência dos 50´s que não deixava as mães mais prendadas sossegadas quando as filhas iam para um qualquer “baile do diabo”, e fundem-na com tudo o que o universo pluridimensional do rock mais feérico e saborosamente nostálgico continua a ter para lembrar: a astúcia, direcção e índole fogosa. Que cruza ao de leve o garage, a blues eléctrica e até o punk.

 

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publicado por O Carteiro às 09:34
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