São cartas Senhor, são cartas! Depois de tocar a campainha, algo acontece. Não é o carteiro, mas há uma carta por abrir.

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Terça-feira, 27 de Setembro de 2005

Versos

living.jpg


 


"Estranha forma de acordar,


Que é estar pronto p'ra dormir"


(...)

publicado por O Carteiro às 10:36
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Sábado, 17 de Setembro de 2005

Life's a waste of time

gCM6b.jpg


Desta vez, deixo o Crispian Mills falar por mim:


 


There's something on my mind
but I don't want to talk about it,
I'm saying my goodbyes though we haven't begun to party

Oh baby, it's all a catastrophe,
Oh lover, it's not how it used to be.

I'm just a man who's battling with his mind.
One hundred and eight battles within the...

Minds forever changing what you began,
Life's a waste of time,
Minds forever changing what you began,
Battle with your mind.

There's magic in my eyes
but I don't want to look into it,
There's thunder in the skies
and I'm frightened of what it's doing.

Oh baby, it's all a catastrophe,
Oh lover, it's not how it used to be.

I'm just a man who's battling with his mind.
One hundred and eight battles within the...

Minds forever changing what you began,
Life's a waste of time,
Minds forever changing what you began,
Battle with your mind.


(108 Battles - Kula Shaker- Pigs, pleasents and astronauts)


 


Ps. Os Kula Shaker são um daqueles fenómenos da música para os quais as palavras só atrapalham. Talvez por isso, sinto-me um felizardo por os não ter deixado passado ao meu lado rumo ao esquecimento. Para aqueles momentos em que nos apetece aceder a uma outra dimensão, psicadélica de preferência, com ou sem substâncias. Para chamarem por eles, basta dizer "Hey dude"!! 

publicado por O Carteiro às 18:14
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2005

Billy Holiday

billie.jpg


Começo por dizer que a razão do título desta carta resulta da minha inspiração. Duplamente da minha inspiração. Por um lado, pela sua presença, por outro lado, pela sua ausência! Sim, estou a ouvir a voz quente e arrastada dessa musa intemporal, mas podia estar a escrever sobre qualquer coisa. Não é importante. Apetecia-me escrever. Quer dizer, na verdade, não me apetecia escrever, mas estou demasiado cansado para adormecer.


Hoje, depois de ontem ter mergulhado, rebolado, gatinhado, dito “uma série de palavras características do norte”, numa sessão de paintball, à qual sobrevivi embora tenha sido baleado…. várias vezes (quem não tem aspirações a Rambo!! Especialmente depois de ter visto um excerto – as minhas distrações não duram assim tanto tempo! – do Rambo III – ou terá sido IV – aquele da aliança entre os americanos e os amigos mujaeindin – provavelmente está mal escrito – fiquei inspirado para desatar aos tiros – bem, esta parte faz-me lembrar umas famosas lições que apenas os leitores com mais sentido de humor serão capazes de reconhecer! Digam lá, se este não foi um nobre gesto de engrandecimento da classe!!), sinto o meu corpo macerado e dorido. ponto final.


Sendo assim, a metáfora que continua a ser responsável por este “stormy weather”, conjuntamente com o incenso que já não queima, leva-me a fazer algo totalmente novo e a entrar na intimidade da minha alcova.


Na verdade, quero falar de algo quase mágico que tenho em cima da minha secretária. Não, é algo doce, por isso podem excluir a primeira ideia que passou pela vossa cabeça! A minha secretária está sempre cheia de coisas (ou pelo menos, obstruída). Mas hoje tem (ou vai tendo) a presença desse algo. Na minha secretária, para além do dito cujo que permite estas palavras vadias, estão dispersos livros (nem vou dizer os títulos, para não ser caluniosamente apelidado de “demasiado” intelectual…), um dvd (Jangada de Pedra… alguém já viu? Gostava de ouvir comentários, antes de ter a ousadia de colocar o dvd no computador) alguns copos… vazios, canetas com fartura, um pisa papeis afectivo e em relação ao qual não admito comentários estéticos, uma coluna que vai debitando “Tenderly”, e o algo mágico.


Chega de mistério, se não ainda me dão um Óscar. Já só resta um. Um “floco de neve”! Meu Deus, há quanto tempo não despedaçava um rebuçado deste (sim, porque eu não tenho paciência de deixar o rebuçado derreter até ao fim.. lá está a minha ausência de lentidão!!). A minha infância e adolescência foram acompanhadas por estes rebuçados (para ser mais fiel à verdade, tenho também de referir a companhia dos rebuçados de fruta penha e das chiclas gorila!). Mais precisamente, os flocos de neve estão intimamente relacionados com as minhas primeiras idas ao cinema. Supostamente era proibido comer rebuçados dentro da sala, mas a gula era mais forte que a obsoleta e claramente desumana e inconstitucional regra (já estava destinado a ter a profissão que tenho, dirão alguns!!). Quem for apreciador, conhece bem as dificuldades técnicas de desembrulhar um floco de neve em silêncio. Mas hoje, a recordação também vai para um desses filmes que incompreensivelmente marcaram o início da minha adolescência: o meu primeiro beijo! Eu sei, é uma confissão arrancada ao baú das memórias menos … bem conseguidas… Mas o que seria de nós se o mundo fosse a preto e branco? E por encadeamento metafórica, sugiro que um dia destes, de preferência quando não tiverem mais nada para fazer, procurem, onde quiserem, o filme “Pleasantville – Regresso ao passado” e saboreiem esse outro “floco de neve que percorre o universo”. Claro que isto é um enigma, que poucos perceberão, pois terão de usar outro sentido.


E depois de tão grande enxurrada de palavras (com travo doce, é certo), resta-me aguardar pelo veredicto da minha estimada audiência!


 

publicado por O Carteiro às 00:37
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

O culto do orgasmo*

“O culto do orgasmo: o utilitarismo puritano projectado na vida sexual; a eficácia contra a ociosidade; a redução do coito a um obstáculo que se deve ultrapassar o mais depressa possível para se chegar a uma explosão extática, o único verdadeiro alvo do amor e do universo. Porque terá desaparecido o prazer da lentidão?” – Lentidão, Milan Kundera


 


É uma passagem curiosa, da qual, humildemente, discordo frontalmente. É sempre perigoso fazer afirmações peremptórias que têm subjacentes vários pré-conceitos, mais ou menos conscientes. É caso para perguntar: Oh senhor Kundera, onde é que estava no 25 de Abril?


 


*Este é um postal meramente provocatório!!


 


PS - Acho que estou a desenvolver uma paixão por asteriscos!

publicado por O Carteiro às 00:40
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2005

Ecléctico por inclusão*

t2005.jpg


Depois de uma noite em torno do efeito borboleta, de silogismos aristotélicos com premissas falsas, desviando o rumo em direcção ao kalimanjaro, onde este ano não nevou, e girando em torno da volatibilidade dos escorpinianos, a pretexto de design industrial, fiquei inspirado para o consumo massificado. No meu saquinho surgiram três livros e um cd:


A cabeça perdida de Damasceno Monteiro – António Tabucchi


A Ignorância – Milan Kundera


Primeiro livro de Urizen – William Blake


Cão! - Ornatos violeta


 


Tudo isto em nome do eclectismo de integração, onde Deus e Pi são sinónimos do paradoxo do universo (mesmo que o meu Pi apenas vá até 3,14).


 


*Um conceito a ser explorado!


 


PS. Ofereço uma recompensa a quem descobrir de quem são os pés da foto.


 

publicado por O Carteiro às 01:40
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